Café

Hoje de manhã coloquei café na minha xícara, e esqueci de beber. Era um café bom, especial, comprado como mimo, já que gostamos de café mas estamos sempre comprando as mesmas marcas mais ou menos. Ficou na xícara, esfriando para ser jogado fora, porque eu estava com tanto sono, e tão distraída, que saí de casa sem me dar conta de que não tinha tomado café.

Talvez tenha sido o dia que não deveria começar. O café era só o símbolo. Minha pequena dose de revolta. Tomar café de manhã é confessar que ainda tenho sono, muito sono, mas preciso despertar. Preciso estar pronta para as minutas, as reuniões, as contas a pagar, o vestido chique na lavanderia, o cachorro no veterinário, a instalação do ar condicionado, a papelada a preencher, o planejamento da viagem.

Há que se beber café, mas o meu ficou na xícara. E eu não acordei, e o dia continuou um sonho em que a trepadeira toma conta do muro, do carro, da casa, e passamos a viver num casulo verde e fresco de onde não é mais preciso sair.

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